Pular para o conteúdo principal

“Até hoje o governo não paga o piso salarial aos professores”

Coordenadora do sindicato dos trabalhadores da educação avalia políticas estaduais para o setor

Joana Tavares e Rafaella Dotta
Belo Horizonte (MG)

A partir desta semana, o Brasil de Fato MG inicia uma série de entrevistas para avaliar a gestão em áreas estratégicas para nosso estado: segurança pública, saúde, cultura, economia e, nesta edição, educação. Confira abaixo a conversa com a coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUTE/MG), Beatriz Cerqueira. 

Brasil de Fato - Tem sido divulgado que Minas tem a melhor educação infantil do país, a partir da nota 6 conquistada no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), de 2011. O sindicato contesta que o indicador não reflete a realidade e afirma que há déficit de mais de um milhão de vagas no ensino médio. Afinal, a educação infantil e o ensino médio melhoraram no estado nos últimos anos?

Beatriz Cerqueira - Se o Aécio está dizendo que Minas tem a melhor educação do país, está mentindo. O Ideb é calculado a partir da prova feita pelo aluno e a partir do índice de aprovação da escola, e há problemas nas duas questões. Primeiro, o estado interfere no índice de aprovação da escola, proibindo o professor de reprovar o aluno. Isso interfere diretamente na nota do Ideb: quanto maior é a aprovação, maior é a nota. Segundo, o Ideb é uma média que exclui os problemas. Qualquer um que se embasa somente neste índice está desconsiderando o principal problema que atinge a juventude, que é a exclusão ao ensino. Faltam um milhão de vagas em Minas Gerais para o ensino médio. Hoje, só há vaga para 35% das crianças, falando de rede privada, conveniada, creche e Umeis. Nem 10% dos alunos que terminam o ensino médio têm nível recomendável em matemática, por exemplo. 

Em 2013, o sindicato organizou uma campanha questionando a ausência de investimento constitucional de 25% do orçamento em educação, o que daria um rombo de R$ 8 bilhões no setor. Como está esse investimento atualmente?

Desde 2003 o estado não investe o mínimo constitucional, em alguns anos foram absurdos 18% de investimento. O que fazer? Precisamos de um poder Legislativo, um Tribunal de Contas, um Ministério Público desatrelado do governo. Hoje, o Tribunal de Contas tem indicações chanceladas pelo governo, o chefe do Ministério Público está indicado pelo governo e as relações são promíscuas, como um “toma lá, dá cá”. 

Existem seis representações no TRE da coligação “Todos por Minas”, encabeçada pelo PSDB, contra o sindicato, devido a anúncios publicados em jornais. Por que essas representações?

Recebi a oitava representação na segunda à tarde (1). O sindicato utiliza da publicidade paga há anos como um instrumento de visibilidade das nossas pautas, porque os meios de comunicação, em sua maioria, não trazem nossas denúncias. O que a coligação está tentando fazer com as ações contra o SindiUTE é nos impedir de dialogar com a população. E é uma tentativa de mordaça, anti-democrática. E o mais incrível é que eles não se incomodam com o conteúdo, não se incomodam em ter uma escola funcionando num posto de gasolina, funcionando num motel, ou de ter um milhão de jovens sem direito à educação. Acho lamentável a forma como o TRE tem se comportado, favorável à representação. Embora as nossas peças não citem nome de ninguém, não citem coligação, não citem sequer partido político.

Os professores realizaram a maior greve dos últimos anos em 2011, com mais de 100 dias de paralisação. A principal reivindicação era o pagamento do piso salarial. Como está hoje essa situação?

O problema do governo de Minas é que nós não podemos confiar nele. Fizemos uma das maiores greves do país em 2011, com 112 dias, com a reivindicação do piso salarial. O governo assinou o acordo de que pagaria o piso e dois meses depois rompeu o acordo, aprovando outra forma de remuneração. Isso veio junto com o congelamento da carreira, que é uma coisa inimaginável, porque a carreira é um direito consagrado na LDB, na legislação estadual, na Constituição. Então é um governo que não cumpre aquilo que assina. Nós cumprimos a nossa parte, fizemos a reposição, e a secretaria de educação teve medidas perversas de punição. Abriu processos administrativos contra lideranças do interior e a categoria amargou quatro meses de cortes de salário. Até hoje o governo não paga o piso salarial nacional e destruiu a carreira dos professores. Mas a greve de 2011 teve um grande saldo positivo que foi o envolvimento da sociedade nas nossas pautas e teria sido vitoriosa na sua integralidade, não fosse o rompimento do acordo que o próprio governo assinou.

Acompanhe o Papo Sério no Facebook e Marco Raposo no Twitter e Facebook.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pizza 🍕

Segue lá no  Instagram.

Alexandre de Moraes é um homem com medo

Segue lá no Instagram.

FBI demite contratado da Accenture após suposto vazamento de dados ligado ao ShinyHunters

Uma falha de segurança em um sistema de terceiros teria exposto informações pessoais de milhares de funcionários do FBI e levado ao afastamento de um contratado da Accenture. Segundo as informações disponíveis, o incidente envolveu o Oracle PeopleSoft , plataforma utilizada em funções administrativas e de recursos humanos, e uma vulnerabilidade identificada como CVE-2026-35273 . O caso também teria envolvido o bypass de um Web Application Firewall (WAF) , permitindo que os atacantes alcançassem o sistema vulnerável. Suposta ligação com o ShinyHunters O incidente teria sido associado à atividade do ShinyHunters , grupo conhecido por ataques e pela tentativa de monetização de dados roubados. A exposição de informações de funcionários do FBI é especialmente preocupante. Mesmo que não envolva dados classificados, nomes, informações profissionais, contatos e relações organizacionais podem ser utilizados em phishing, engenharia social, falsificação de identidade e ataques direcionados . É im...